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O que podemos aprender sobre saúde mental com o Big Brother Brasil?

Agência RS - O que podemos aprender com o BBB

Da porta para dentro, todos os participantes do reality Big Brother Brasil estão sujeitos a julgamentos e precisam mostrar certa relevância para o público, com altas doses de consistência e, preferencialmente, uma história de vida que impacte positivamente na contextualização da narrativa passada para as diversas câmeras que há na casa – e para os demais participantes.

Alguns deles conquistam a admiração do público, ainda que acumulando desafetos dentro do reality, e outros ganham um ano de amaciante. E, da porta para fora, quando saem, podem perceber que uma simples fala, um gesto intencional ou atitude colocaram tudo a perder.

Analisando sem qualquer julgamento de valor, todos os participantes podem gerar debates fora da casa que vão além da audiência, alcançando formadores de opinião, estudiosos ou profissionais que os veem como produtos que poderiam dar certo ou errado. Sendo que, como “produtos”, alguns participantes não alcançaram a maturidade de entender seus pontos fortes e seu público-alvo – e isso talvez explique o surgimento dos “personagens” que nascem a cada edição e não se sustentam na curva ABC.

Vendo cada “produto” e medindo a relevância deles um a um, na média, o prêmio final parece satisfatório. Já se notarmos a pressão pelas quais eles passam, além de certas cobranças, o prêmio é pequeno. E se avaliarmos que houveram – e ainda há – provas que não respeitam a condição, estatura ou silhueta de quem está alí, quem assiste deveria ganhar um prêmio também!

Validação e saúde mental

A necessidade de validação do público, de se obter aprovação e até compreensão e acolhimento, pode ser essencial e, não raramente, muitos mudam de postura ou reforçam a própria imagem. Esse rebrand de alguns participantes, se aproximando de “produtos” que deram certo, sendo extensão da estratégia de alguém ou virando um personagem cópia de uma narrativa já utilizada, é captado pela audiência e nem sempre visto com bons olhos.

Os telespectadores mudaram e querem sempre novidade na prateleira, com rótulo sem letras miúdas. Aquele mix de produto “gostosa” ou “encrenqueiro”, por exemplo, saturou tanto que não existe concorrência quando vemos “vetezeiros” se vendendo. O que existe são perguntas do tipo: e fora da casa, será que Beltrano é assim? E a mesma pergunta pode vir de marcas que buscam novos influencers ou garoto/a propaganda a partir de realities!

Como os participantes podem manter a saúde mental, por até 3 meses, se já não basta ser interessante apenas durante a edição do reality? Como saber em qual prateleira se encaixar quando a bússola está confusa na matriz SWOT de autoanálise?

Para a maioria deles é preciso pensar e repensar o que será da vida após a participação e sem o prêmio, além de lidar com rejeições, julgamentos e apontamentos. Tudo isso após ganhar um emoji oficial e ter o perfil do Instagram verificado, sendo que a régua de quem julga pode ser baseada em outro produto de outra temporada.

Nenhuma novidade anunciada previamente sustenta mais que as narrativas do dia a dia. Enquanto os participantes desejam mostrar que merecem e possuem resistência, quem se identifica e torce do lado de fora, muito provavelmente, não se lembrará desse “ídolo” meses depois. E quem critica, não faria melhor.

Uma história bem contada, criar vínculos convincentes e dar a sorte do público se apaixonar. Com check nesses três itens é possível ganhar o maior prêmio: sair antes da paixão virar ódio e conquistar contratos de trabalho que façam valer a pena tanta exposição.

Escrito por Aline Vivian Leite, Líder de Projetos e Conteúdo na RS