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Autodiagnóstico é diferente de Autocuidado, Automedicação e Autotratamento

você cuida corretamente da sua saúde

No dia a dia, é comum ouvirmos termos como “autocuidado”, “automedicação” e “autotratamento”, muitas vezes sendo usados como sinônimos. No entanto, essas três práticas possuem diferenças importantes e compreender essas distinções é essencial para garantir nossa saúde e bem-estar.

E por que é importante entendermos o que esses termos significam? Porque estamos cada vez mais conectados, com acesso aos mais variados tipos de conteúdo e, sem compreender corretamente as informações – identificando, inclusive, o que é falácia ou fake – podemos ir numa direção oposta, onde os efeitos dos nossos atos trarão prejudiciais à saúde.

O que é Autocuidado?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define autocuidado como a capacidade de indivíduos, famílias e comunidades promoverem e manterem a saúde, prevenirem doenças e lidarem com doenças e deficiências com ou sem o apoio de um profissional de saúde.

O autocuidado envolve uma série de hábitos e práticas que visam manter a saúde e o bem-estar. Isso inclui uma alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, sono adequado, hidratação, higiene pessoal e até o gerenciamento do estresse.

O que é Automedicação?

A automedicação ocorre quando uma pessoa decide, por conta própria, utilizar medicamentos sem a devida orientação profissional, como o uso de remédios para dor, antitérmicos, anti-inflamatórios e antibióticos.

Embora pareça uma prática inofensiva, o uso inadequado de suplementos e produtos naturais, assim como medicamentos que necessitam de prescrição, também podem causar efeitos colaterais, interações medicamentosas, intoxicações e até mascarar doenças mais graves.

Uma pesquisa de 2024 do ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade) mostrou que 86% das pessoas entrevistadas se automedica ou já usou medicamento em algum momento da vida sem orientação de um profissional de saúde.

E o que é Autotratamento?

O autotratamento, por sua vez, é diferente da automedicação porque ocorre quando uma pessoa segue um tratamento previamente orientado por um profissional de saúde, gerenciando sua própria rotina de cuidados.

Um exemplo comum é quando um médico recomenda um medicamento ou terapia específica e o paciente segue as instruções sem necessidade de acompanhamento constante. Ou seja, é uma prática segura quando ocorre dentro das diretrizes recomendadas e com conhecimento adequado sobre os medicamentos ou medidas a serem adotadas.

A Importância de Saber a Diferença

A distinção entre esses 3 conceitos é fundamental para evitar riscos à saúde. Enquanto o autocuidado é sempre bem-vindo, a automedicação pode trazer prejuízos graves no curto, médio ou longo prazo. Já o autotratamento é seguro, desde que orientado por um profissional e seguido com o rigor necessário.

Onde se enquadra o Autodiagnóstico?

Autodiagnóstico é quando a pessoa interpreta sintomas e conclui, sem exames ou opinião médica, qual doença tem. Isso pode ser feito com base em pesquisas na internet, experiências passadas ou relatos de terceiros. Por vezes, é o que leva o indivíduo à automedicação.

Desde 2021, muitos estudiosos têm falado dos problemas que esse hábito gera na população, principalmente a mais jovem, como ansiedade, prejuízos no senso de identidade e a utilização de um “pseudolaudo” para justificar possíveis incapacidades ou dificuldades de socialização e adaptação.

Embora as redes sociais tenham ampliado o acesso a informações sobre saúde (inclui-se aqui o autocuidado), criadores de conteúdo autodeclarados com algum tipo de transtorno, por exemplo, acabam por gerar desinformação ao exercer o “papel consultivo” que uma pessoa mais experiente exercia na vida das pessoas antes da popularização da internet. O que explica a hashtag #TDAH ser uma das mais utilizadas nas redes sociais.

O problema, segundo relatos de psiquiatras sobre o tema “autodiagnóstico via redes sociais”, tem sido atender pessoas que se declaram com um transtorno sem ter feito testes neurológicos ou outros exames. Esse tipo de comportamento remete à questão: O conforto de “se enquadrar” em um perfil ultrapassa a importância de se receber tratamento e atenção adequados?

Hipocondria x Autodiagnóstico

Diferente da hipocondria, que é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação excessiva com a saúde e o medo de ter uma doença grave, o autodiagnóstico, por vezes, é provocado ou induzido por uma simples identificação da audiência com um interlocutor.

Reforçando: erros no diagnóstico de uma doença podem levar a tratamentos inadequados, onde sintomas podem ser confundidos e condições graves podem ser negligenciadas. O ideal é sempre buscar um profissional de saúde para uma avaliação precisa.

Não encontramos em nossas buscas uma campanha que oriente sobre esse assunto aqui no Brasil e acreditamos que enquanto não houver conscientização da população, com a mesma linguagem e nas mesmas redes sociais onde circulam conteúdos equivocados, continuarão ocorrendo desvios do objetivo central que é o bem-estar.

Por fim, recomendamos, dentre tantos “autos”, a prática de apenas dois:

  1. Autoconhecimento como complemento de Autocuidado, para se manter saudável física e mentalmente;
  2. Autoavaliação, quando necessário. Ou seja, se observar e definir quais hábitos e históricos levar ao médico, em uma consulta ou teleconsulta, para permitir que o máximo de informações possíveis sejam analisadas.