O nome de Robert F. Kennedy Jr. foi confirmado no dia 13 de fevereiro como chefe do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês), que inclui controle da Food and Drug Administration (FDA), dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), o maior financiador mundial de pesquisa biomédica. A aprovação dos republicanos representa uma grande mudança para um partido que antes estava alinhado com a indústria de assistência médica e fabricantes de alimentos, dois setores que o novo secretário planeja atingir.
O que esperar da administração de Kennedy, um conhecido ativista antivacina que liderou por anos um grupo de advocacia, desafiando o consenso científico de que as vacinas são seguras e promovendo teorias refutadas? Como um disseminador de teorias conspiratórias, ele chegou a dizer durante a gravação de um podcast que a radiação do wi-fi causa câncer e, como Secretário da Saúde, terá sob sua supervisão um orçamento anual de quase US$ 2 trilhões e 80 mil funcionários.
Durante sua audiência no Senado, Kennedy disse que irá se concentrar em doenças crônicas, nutrição e as ligações entre poluição e saúde, enquanto não irá priorizar a pesquisa sobre doenças infecciosas. Em um texto publicado este mês no site da Nature, em que alerta que cientistas estão se preparando para grandes mudanças na direção da pesquisa biomédica nos EUA, uma pesquisadora sintetizou o que significa a ascensão de Kennedy ao cargo de principal autoridade de Saúde do país: “o futuro da América como uma superpotência em pesquisa parece sombrio.”
Uma linha defendida por Kennedy algumas vezes em sua trajetória é a proibição de anúncios farmacêuticos diretos ao consumidor, uma iniciativa política politicamente popular, mas legalmente espinhosa, que ele disse que iria implementar de alguma forma como secretário da Saúde.
Já em uma postagem realizada no X (antigo Twitter), antes de Trump nomeá-lo para liderar o HHS, Kennedy prometeu fazer uma revisão da FDA, o acusando de corrupto e de conspirar com farmacêuticas para suprimir alternativas baratas a medicamentos de alto custo. Kennedy também fez críticas aos Institutos Nacionais de Saúde, que supervisionam bilhões em bolsas de pesquisa em saúde para universidades, e prometeu um expurgo de centenas de funcionários.
Na RS Health, seguimos atentos e acompanhando de perto os possíveis impactos que as decisões tomadas pela nova administração Trump em Saúde e Ciência possam ter nas políticas públicas de outros países com o Brasil. As informações deste texto foram extraídas de reportagens publicadas em CBS News, Político, NPR, Mother Jones, Associated Press e The Washington Post.